No ?ltimo dia de aulas da prim?ria - ap?s quatro anos sempre com, a mesma turma e o mesmo professor, chamado Lobo (e com uma atitude de acordo com o nome) o que n?o era especialmente agrad?vel para um jovem chamado Coelho - tivemos uma grande festa na escola. Parte integrante obrigat?ria do programa das festa era claro o jogo de futebol entre as duas turmas da quarta-classe e que tinham desenvolvido uma feroz rivalidade - futebol?stica e n?o s? - durante quatro anos.
Pela primeira - e ?ltima vez - as duas turmas/equipas enfrentaram-se num jogo "oficial"
(no campo de balizas, e com ?rbitro e tudo: o nosso professor Lobo, porque a outra turma era ensinada por uma professora). O jogo, talvez de futebol de 7 ou 8, foi renhido, como sempre eram os jogos entre as duas turmas, e o resultado de 2-2 prolongou-se quase at? final. Aconteceu ent?o algo que nunca mais esquecerei na minha vida: o Professor Lobo, transformado em ?rbitro e demonstrando um interesse e um conhecimento sobre futebol que nunca antes permitira que se conhecesse, despiu por uma vez a capa de dureza e inclem?ncia com que sempre lidara connosco ao longo de quatro anos: faltariam um ou dois minutos para o fim do jogo quando um dos nosso jogadores d? "m?o na bola" na nossa ?rea de uma forma t?o clara e cristalina, t?o ?bvia, que seria imposs?vel n?o ser vista por todos. Para nossa surpresa o ?rbitro Lobo manda seguir o jogo como se nada se tivesse passado, perante a incredulidade e a irrita??o dos mi?dos da outra equipa. Imediatamente tive a percep??o que aquela era a prenda de despedida do nosso professor, era a compensa??o por tanta dureza e inclem?ncia durante quatro anos. Para o quadro ser perfeito, ganhamos no desempate por penalties. Para n?o ser assim t?o perfeito, falhei o meu, iniciando uma rela??o dif?cil com os penalties, que me perseguiria durante muito tempo. Mas a vit?ria e a li??o de vida estavam no saco.
Posted by JNC
at 2:46 PM GMT