Acredito totalmente que ha coisas que n?o se podem exprimir com palavras. So se podem sentir, viver, experimentar. No entanto, n?o podemos deixar de as escrever, nem que seja para que fiquem registadas. Se calhar para voltarmos a vive-las de alguma forma mais tarde.
As vitorias do Porto contra o Chelsea e o Once Caldas s?o desse tipo de coisas muito especiais.
Antes de mais porque surgem num momento muito dificil para nos portistas. Quer queiramos quer n?o, e extremamente delicada a situac?o que vivemos hoje, nem que fosse em termos puramente simbolicos, animicos... E a forma como a equipa actua - tanta irregularidade, dependencia da boa ou ma disposic?o de certos jogadores, etc - n?o ajuda nada. Por isso vivemos entre estados extremados e como se tal n?o chegasse nunca eu vi uma epoca em que uma equipa tenha tido tais extremos de sorte e azar (felicidade enorme em jogos como os da Supertaca, na Luz, Moscovo ou em casa frente ao Chelsea e azar a toda a prova frente a Estoril, Leiria, CSKA, PSG, Nacional, Boavista, Beira-Mar e Once Caldas).
Assim chegamos a estes dois jogos absolutamente decisivos, de tudo ou nada, com a confianca em baixo, receosos de perder mais oportunidades unicas para nos mantermos na "creme de la creme" do futebol mundial, entre os melhores dos melhores.
Por isso, e ainda porque havia o factor Mourinho, o final do jogo contra o Chelsea foi inesqucivel: nunca vi e senti um ambiente de tanta loucura no Drag?o, de euforia colectiva, de adrenalina partilhada e elevada a enesima potencia. Uma casa de loucos, incluindo eu, que deixei o estadio a saltar e a dar socos no ar, como uma crianca, ou como Mourinho em Sevilha. Que ironia, n?o? Mas sai tambem orgulhoso de ter assistido e participado na calorosa recepc?o que o nosso antigo "mais do que tudo" recebeu no inicio do jogo.
Como estamos sempre t?o perto do inferno e do ceu enquanto adeptos de futebol! Por todas estas raz?es ja apontadas e mais alguma, o jogo com o Chelsea foi, no seu final, uma verdadeira ascens?o das profundezas do inferno.
E hoje, voltamos a estar a um passo de cair nesse abismo e acabamos novamente no paraiso - tudo em duas horas quase inacreditaveis de drama, emoc?o, estados extremos. Acho que nunca vi tamanha injustica em noventa minutos: jogo nun so sentido, quatro bolas nos postes e barras (duas delas na mesma jogada), dois golos mal anulados, apenas uma equipa a querer jogar e a outra a espera dos penalties desde o minuto um.
E a verdade e que estiveram a um mero penalty de protagonizar tal injustica everestiana. Valeu finalmente um pouco de sorte e um querer quase desumano dos jogadores do Porto: onde e que ja se viu gente como Jorge Costa, Ricardo Costa e Pedro Emanuel a marcar penalties com a classe e frieza de um numero 10 de categoria mundial? E preciso querer muito ganhar, querer com toda a alma! E essa alma ninguem nos pode tirar. Por isso no fim, foi um longo grito, que se foi tornando rouco, enfim liberto: "GANHAMOS". E deve ter-se ouvido em Toquio, onde o nosso Vitor Baia nos pregou aquele terrivel susto; o Diego soltou toda a sua genialidade e caracter (como foi lindo finalmente alguem poder verbalizar exactamente aquilo que todos sentiamos em relac?o aquele guarda-redes inenarravel, cuja namorada deve ser realizadora da televis?o que cobriu a final; o Maniche esteve em todo o lado; e o McCarthy merecia marcar um dos golos de uma vitoria avantajada. Mas se calhar foi melhor assim, porque mostramos que estamos bem vivos e como uma alma ate Almeida! E agora podemos voltar a cantar: "Somos nos, somos nos, os campe?es do mundo somos nos!" Um abraco para todos os portistas! POOOOOOOORTTTTTOOOOOO!
Posted by JNC
at 4:44 PM GMT