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Paix?oFC Blog
07/01/2005
O futebol neoliberal (ou "queremos de volta o nosso jogo!")
Li h? pouco tempo que o FC Barcelona estava disposto a investir milh?es na compra do passe de um jovem futebolista argentino de 12 anos.
Ao ponto a que as coisas chegaram. O futebol entrou numa fase de mercantiliza??o profunda, de verdadeira escalada econ?mica, que tem posto em perigo de forma arrepiante a sua pr?pria identidade. Apenas se procura potenciar o lado mais espectacular, sempre muito rent?vel (ainda um dia o futebol vai ser um pretexto para se venderem pipocas, como j? acontece com o cinema de Hollywood...), deixando de lado muitos dos verdadeiros adeptos e valores tradicionais do jogo.
Como diz S?rgio Pami?s, no pref?cio da sua biografia de J. Cruyff, "perdeu-se o limite econ?mico...(...) entrou-se numa espiral muito perigosa (...) em que se fala cada vez mais de dinheiro, patrocinadores, direitos de imagem, publicidade, rentabilidade, intermedi?rios, superavit e deficit, e cada vez menos de futebol e dos seus valores."
O que me preocupa ? como o neocapitalismo dominante se apoderou do nosso jogo - uma das formas culturais fundamentais da Modernidade - e o colonizou transformando-o em seu servo. O sucesso e o rendimento s?o palavras que dominam o pr?prio jogo e a sua conceptualiza??o e organiza??o. E a responsabilidade ? de todos os agentes.
- Clubes que programam pr?-?pocas para vender camisolas e treinos
- Clubes que "compram" jogadores para vender camisolas, mesmo que para isso cheguem ao c?mulo de s? adquirir avan?ados centro ou extremos direitos.
- Jogadores que passam mais tempo a viajar para ac??es de publicidade do que a treinar.
- ? FIFA e ? UEFA s? falta matarem os jogadores com tantos jogos e tantas competi??es diferentes.
- As selec??es nacionais jogam encontros disparatados (ou contra equipas de amadores ou em particulares que fazem parte de contratos publicit?rios).
- Jovens de todo o mundo (incluindo africanos, sul americanos) s?o tratados como gado, trazidos para a Europa enquanto s?o promessas e abandonados depois quando n?o evoluem segundo as expectativas.
- Os jogadores chegam atrasados de f?rias, demonstrando uma total falta de respeito pelos clubes ques lhes pagam principescamente e pelos adeptos que os idolatram
- Os adeptos continuam a considerar inaceit?vel a derrota, a descarregar em cima dos ?rbitros a sua frustra??o, a considerar os advers?rios como inimigos, a querer a vit?ria a todo o custo, a contribuir para um clima de guerra geral.
- Os ordenados dos craques atingiram valores exorbitantes, inaceit?veis: n?meros de 2002 apontavam para aumentos salariais na ordem dos 300 por cento em Inglaterra e It?lia, com n?meros perto dos 200 por centos noutras Ligas, isto entre 1997 e 2002. Nesta altura existiam clubes com deficits de 100 por cento entre receitas e despesas.
- Os clubes falam em conseguir atrair novos adeptos mas esquecem-se dos antigos, aqueles que deixaram de ir aos est?dios e aqueles que est?o prestes a deixar de o fazer (num pa?s com est?dios novos, temos 5000 espectadores em m?dia em cada est?dio da Primeira Divis?o)
- Os clubes tratam genericamente mal os seus adeptos mais fieis (quase sempre os menos favorecidos), reservando uma grande parte dos est?dios e dos melhores lugares para os box offices, para os convidados dos patrocinadores, para os VIP e outros amigos.
Hoje em dia, quando se acha aceit?vel e at? genial que chegue ? conclus?o, e que se propale aos sete ventos, que o Benfica ? acima de tudo uma MARCA - uma grande marca - procura-se tornar natural este processo de quase total mercantiliza??o do futebol, estabelecendo que a principal rela??o que existe ali ? entre um consumidor e um produto. Por isso se diz que o futebol ? uma ind?stria e para isso temos que ter bons espect?culos.
Do que se esquecem estes industriais do futebol ? que o mais importante da rela??o entre os ind?viduos e este jogo s?o as lealdades, a identifica??o entre os adeptos e os clubes, os sentimentos e emo??es que dessa rela??o nascem e se desenvolvem durante toda uma vida, quantas vezes uma heran?a de pais para filhos e por a? fora...
Para animar um pouco este quadro negro, duas hist?rias de humor e esperan?a:
Um modesto clube das ligas amadoras inglesas, o St Albans City, recusou em 1993 uma apelativa possibilidade de subir de escal?o porque foi exigido ao clube que cortasse duas ?rvores - uns carvalhos antigos - que existiam no seu est?dio, por detr?s de uma das balizas. As condi??es eram claras: se o St. Albans quisesse participar na referida Liga as ?rvores tinham que desaparecer. A competi??o come?ou sem o St. Albans, mas as ?rvores continuaram no mesmo s?tio. At? hoje.
Num dos seus v?rios livros sobre futebol, o soci?logo Anthony King, conta um epis?dio ocorrido em 1995 num debate entre o ent?o director executivo do Newcastle United, Freddie Fletcher, e um membro de uma associa??o de adeptos do clube ingl?s, Kevin Miles. Perante a insist?ncia dos adeptos em estarem representados na direc??o do clube, pretens?o que este rejeitava, Fletcher utilizou como argumento o facto de os consumidores de um centro comercial n?o estarem representados na sua administra??o. Ao que Miles lhe respondeu que os consimidores dos centros comerciais n?o passam os seus dias a pensar, ler, a discutir, a viver, os seus centros comerciais, nem t?o pouco t?m camisolas, bandeiras, cachecois dos mesmos.



Posted by JNC at 12:47 AM GMT
Updated: 07/01/2005 12:52 AM GMT
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04/01/2005
Assim e demais!
Defendia eu, ainda recentemente, a paragem na Liga portuguesa e surgiam pouco depois as noticias de diversos atrasos consideraveis de jogadores brasileiros (e ate de treinadores de outras paragens...)no regresso aos seus clubes.
Salvaguardando as situac?es especiais e tentando n?o me reportar a casos especificos, parece-me que estes s?o exemplos de uma total falta de respeito pelas entidades que pagam (principescamente) aos atletas e pelos proprios adeptos (que os idolatram). Como e possivel que pessoas t?o privilegiadas social e economicamente n?o demonstrem a minima responsabilidade e respeito pelo estatuto que detem? Como e que podem ser t?o indiferentes e laxistas perante a realidade em que vivem? Para mim isto chega a ser falta de decencia e chego a perguntar-me como e que podemos esperar que se construam colectivos fortes (equipas) quando os seus elementos tem atitudes t?o egoistas e pouco profissionais. Isto diz muito tambem sobre o futebol portugues, mas igualmente sobre a propria sociedade abrangente: o ambiente geral que se vive e de incompetencia, irresponabilidade e desresponsabilizac?o. Vivam os direitos, que se lixem os deveres. Ainda para mais por parte de pessoas com altas responsabilidades, tambem sociais, os ditos modelos de acc?o.
No que diz respeito ao Porto - afinal de contas o caso que me interessa mais - desilude-me muito ver isto acontecer, designadamente em relac?o a jogadores que ate admiro bastante. Prova, na minha opini?o, que afrouxou muito a disciplina e o codigo de conduta dentro do plantel, com o resultado que temos visto. Apesar disso, a direcc?o (ou SAD, ou que quer que seja...)portista, parece n?o querer deixar que certos limites sejam ultrapassados - na linha do que aconteceu antes do Natal com os castigos a Carlos Alberto e Quaresma - tentando evitar que os maus exemplos vindos do Sul do pais grassem tambem num clube que tem vivido muito da disciplina interna, da coes?o do grupo, da forca do colectivo, onde ha regras de comportamento claras e para todos. Isso (tambem) tem feito a diferenca. Que n?o se perca definitivamente!

Posted by JNC at 12:35 AM GMT
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27/12/2004
Comparac?es...
Por esta altura do ano, e sagrado, la surgem os usuais comentarios ao inusual calendario futebolistico ingles, destacando as diferencas relativamente ao portugues, e servindo de catapulta para as restantes comparac?es do costume, sempre depreciativas no nosso sentido. Compara-se o grau de profissionalismo, de organizac?o, de sacrificio: "...la os jogadores realizam tres jogos com tres dias de diferenca entre cada um, n?o tem passagem de ano, etc etc, la o futebol e que e, ca e uma grande merda, s?o uma cambada de preguicosos."
Por acaso ate gosto muito desta tradic?o inglesa - adoro ver os jogos do Boxing Day na televis?o, com aquele ambiente especial, que bom ter futebol no dia de Ano Novo, enquanto se espera pelo almocinho...Mas deixem que seja apenas isso: uma tradic?o inglesa. N?o usem esse exemplo para criticar a paragem do campeonato portugues (de dia 19/12 a 9/1), porque ent?o tem que admitir que se use os (bons) exemplos das ligas espanhola e italiana, onde tambem se efectuam este tipo de paragem. Ou s?o estes campeonatos uma porcaria?
Com a overdose de futebol que existe durante quase todo o ano, n?o vejo mal nenhum que, de vez em quando, tenhamos um descansozinho (que os ingleses n?o deixam que chegue a ser opressivo...), designadamente na TV, permitindo que certas pessoas possam tornar-se de novo acessiveis aos amigos e familiares. Pode ent?o, talvez..., voltar a falar-se de outros assuntos, reparar noutras realidades e temas, enfim mudar-se um pouco de canal...
No fundo, ate acho bem esta paragem para respirar.
E ate permite ao clube "diferente", da moral inquestionavel, dos principios acima de qualquer reparo, arranjar um esquemazito para limpar o castigo de um jogador...

Posted by JNC at 5:58 PM GMT
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19/12/2004
Pedro Emanuel
Sempre me fascinaram as situac?es em que os actores secundarios passam, por momentos, a principais. Por uma quest?o conjuntural - mas sempre com merito, pelo menos de saberem estar no sitio certo na altura certa - passam a ser estrelas cintilantes. E esses momentos eternizam-se, porque ficam na memoria de todos ainda com mais forca.
Foi o que aconteceu a Pedro Emanuel na final de Toquio. Como ele proprio disse "N?o tive medo de ser feliz!". Mas mais do que ele disse, falou o seu olhar determinado antes da marcac?o do pontape da marca da grande penalidade que trouxe para o Porto a ultima Taca Intercontinental.
Pedro Emanuel, que comecou por ser uma autentico "pato feio" nas Antas (vinha do rival Boavista e fora um simbolo da mistica guerreira do clube), conseguiu assim convencer os ultimos criticos - pela forca do seu caracter, pela sua determinac?o e por que foi o homem certo no local e momento certos.
Mas n?o era preciso demorar tanto para chegar aqui. E uma quest?o de justica: Pedro Emanuel assumiu-se desde o inicio como um jogador "a Porto", provando em campo, nas poucas oportunidades de que dispos, que no seu caso "ser portistas desde pequenino" n?o era discurso ensaiado. Esteve em todas as grandes conquistas do Porto como parte do nucleo central de 13/14 jogadores - e varias vezes entrou na luta para ter acc?o determinante em momentos muito dificeis (em Atenas; na final de Sevilha; na Corunha). N?o foi por acaso que jogou os ultimos minutos em Gelsenkirchen, para que o seu grande merito fosse tambem reconhecido.
Pedro Emanuel e um actor secundario ao jeito dos grandes secundarios de Hollywood: seguro, serio, confiavel, aguerrido, jogador de equipa, sempre preparado para o sacrificio em nome do grupo. Tal como os secundarios de Hollywood, ele e uma das bases em que assenta todo o equilibrio do grupo, da equipa.
Por tudo isso, Pedro Emanuel mereceu toda a sorte de estar no momento e local certos para ser estrela por um dia e para sempre.

Posted by JNC at 3:20 PM GMT
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12/12/2004
Emoc?es fortes - o ceu e o inferno t?o proximos
Acredito totalmente que ha coisas que n?o se podem exprimir com palavras. So se podem sentir, viver, experimentar. No entanto, n?o podemos deixar de as escrever, nem que seja para que fiquem registadas. Se calhar para voltarmos a vive-las de alguma forma mais tarde.
As vitorias do Porto contra o Chelsea e o Once Caldas s?o desse tipo de coisas muito especiais.
Antes de mais porque surgem num momento muito dificil para nos portistas. Quer queiramos quer n?o, e extremamente delicada a situac?o que vivemos hoje, nem que fosse em termos puramente simbolicos, animicos... E a forma como a equipa actua - tanta irregularidade, dependencia da boa ou ma disposic?o de certos jogadores, etc - n?o ajuda nada. Por isso vivemos entre estados extremados e como se tal n?o chegasse nunca eu vi uma epoca em que uma equipa tenha tido tais extremos de sorte e azar (felicidade enorme em jogos como os da Supertaca, na Luz, Moscovo ou em casa frente ao Chelsea e azar a toda a prova frente a Estoril, Leiria, CSKA, PSG, Nacional, Boavista, Beira-Mar e Once Caldas).
Assim chegamos a estes dois jogos absolutamente decisivos, de tudo ou nada, com a confianca em baixo, receosos de perder mais oportunidades unicas para nos mantermos na "creme de la creme" do futebol mundial, entre os melhores dos melhores.
Por isso, e ainda porque havia o factor Mourinho, o final do jogo contra o Chelsea foi inesqucivel: nunca vi e senti um ambiente de tanta loucura no Drag?o, de euforia colectiva, de adrenalina partilhada e elevada a enesima potencia. Uma casa de loucos, incluindo eu, que deixei o estadio a saltar e a dar socos no ar, como uma crianca, ou como Mourinho em Sevilha. Que ironia, n?o? Mas sai tambem orgulhoso de ter assistido e participado na calorosa recepc?o que o nosso antigo "mais do que tudo" recebeu no inicio do jogo.
Como estamos sempre t?o perto do inferno e do ceu enquanto adeptos de futebol! Por todas estas raz?es ja apontadas e mais alguma, o jogo com o Chelsea foi, no seu final, uma verdadeira ascens?o das profundezas do inferno.
E hoje, voltamos a estar a um passo de cair nesse abismo e acabamos novamente no paraiso - tudo em duas horas quase inacreditaveis de drama, emoc?o, estados extremos. Acho que nunca vi tamanha injustica em noventa minutos: jogo nun so sentido, quatro bolas nos postes e barras (duas delas na mesma jogada), dois golos mal anulados, apenas uma equipa a querer jogar e a outra a espera dos penalties desde o minuto um.
E a verdade e que estiveram a um mero penalty de protagonizar tal injustica everestiana. Valeu finalmente um pouco de sorte e um querer quase desumano dos jogadores do Porto: onde e que ja se viu gente como Jorge Costa, Ricardo Costa e Pedro Emanuel a marcar penalties com a classe e frieza de um numero 10 de categoria mundial? E preciso querer muito ganhar, querer com toda a alma! E essa alma ninguem nos pode tirar. Por isso no fim, foi um longo grito, que se foi tornando rouco, enfim liberto: "GANHAMOS". E deve ter-se ouvido em Toquio, onde o nosso Vitor Baia nos pregou aquele terrivel susto; o Diego soltou toda a sua genialidade e caracter (como foi lindo finalmente alguem poder verbalizar exactamente aquilo que todos sentiamos em relac?o aquele guarda-redes inenarravel, cuja namorada deve ser realizadora da televis?o que cobriu a final; o Maniche esteve em todo o lado; e o McCarthy merecia marcar um dos golos de uma vitoria avantajada. Mas se calhar foi melhor assim, porque mostramos que estamos bem vivos e como uma alma ate Almeida! E agora podemos voltar a cantar: "Somos nos, somos nos, os campe?es do mundo somos nos!" Um abraco para todos os portistas! POOOOOOOORTTTTTOOOOOO!

Posted by JNC at 4:44 PM GMT
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07/12/2004
Bola da cabe?a aos p?s

O Andr? tem 10 anos. Vive com os av?s, perto do mar. Tem um olhar vivo, num corpo franzino. ? bom aluno na escola, gosta de aprender e de estar com os amigos. Mas tem uma paix?o maior do que todas as outras: o futebol.
O av? do Andr? diz que ele n?o larga a bola de futebol durante o dia todo. "Parte-me tudo l? em casa, d? cabo das plantas, dos vasos, dos vidros e das outras coisas que se ponham ? frente da bola."
O Andr? joga sozinho, em casa, horas a fio. Joga com os amigos na escola. Joga com os colegas de equipa no clube onde treina. Tem aquilo a que os mais velhos chamam "jeito", parece ter nascido para jogar ? bola. O treinador do Andr? diz que ele tem uma intui??o rara para o futebol, que ele pensa e age mais depressa do que os outros; o av? chama-lhe "vis?o de jogo".
O Andr? tem aquela caracter?stica que distingue os craques (embora ele possa nunca chegar a ser um...pelo menos daqueles que vemos na TV): parece jogar na ponta dos p?s, flutuar em vez de correr, acariciar a bola no lugar de lhe bater.
E no entanto ? t?o franzino e aparentemente fr?gil: as suas pernas parecem incapazes de chutar com for?a ou resistir a uma entrada mais dura. Mas mesmo assim, corre sem parar, finta, passa e chuta para marcar, sacrifica-se pela equipa, luta para ganhar, sempre infatig?vel. O que n?o quer dizer que n?o chegue ao fim dos jogos estafado. O av? diz que ele podia jogar melhor se n?o se cansasse tanto por andar sempre a jogar ? bola: no quintal, na sala, no quarto, na escola, na rua. Em todo o lado com a bola nos p?s e um sorriso no rosto.
N?o ? poss?vel dizer se o Andr? vai ser jogador de futebol profissional. H? tanta coisa que acontece na vida. Mas d? um prazer t?o grande v?-lo a jogar...e ele tem s? dez anos. ?s vezes faz rir ver a suas fintas curtas e desconcertantes, a forma como domina docilmente bolas que caem pesadas e quadradas vindas de p?s mal jeitosos. "Parece o Zidane", afirmam com admira??o os seus colegas quando o v?em amansar uma bola dif?cil como se fosse a coisa mais f?cil e natural do mundo. E para ele ?.
?s vezes, fico a imaginar o Andr? no seu dia a dia: abra?ado ? bola quando dorme, aos chutinhos pela rua a caminho da escola, a fintar os colegas no jogo do intervalo grande, a voltar para casa cansado com a bola debaixo do bra?o, mas a antecipar j? uns toques depois de lanchar e uns golos entre as duas ?rvores do quintal a seguir ao jantar.
Sei bem porque ? que me ? t?o f?cil imaginar tudo isto: eu tamb?m fui assim e de certa maneira cont?nuo a ser. N?o passo o dia com a bola nas m?os ou nos p?s (porque n?o posso), mas ela n?o me sai da cabe?a. Por isso fiz do futebol a minha profiss?o, pensando, estudando e escrevendo sobre ele. ?s vezes canso-me, porque para mim parece n?o haver exist?ncia para al?m dele. Mas no dia seguinte, tudo volta a ser como sempre foi e o mundo a rodar como uma bola de couro.
N?o fui jogador de futebol profissional - h? tanta coisa que acontece na vida...- e n?o tenho amargura por isso. Joguei sempre por prazer e com amigos. E se calhar isso ? ainda melhor do que jogar (tamb?m) por dinheiro. Nunca fui um dotado como o Andr? - provavelmente n?o seria suficientemente bom para jogar "a s?rio" - mas a paix?o, a intui??o para o jogo e uma competitividade feroz sempre compensaram a falta de habilidade nata e de vista (sempre vi mal...). Assim vivi tantos momentos de felicidade absoluta com a bola nos p?s e um sorriso no rosto.
Agora o futebol traz-me, finalmente, alguma amargura: a idade n?o perdoa e as les?es tornam-se uma praga. Parece claro que tenho que ter a coragem de arrumar as botas um destes dias - porque jogar devagar e sem for?ar n?o me chega...Talvez esteja na hora de viver o futebol atrav?s do Andr? e de outros como ele, enquanto treinador de crian?as. Porque tirar o futebol da minha cabe?a ? t?o dif?cil como tirar a bola dos p?s do Andr?.

Posted by JNC at 12:49 AM GMT
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05/12/2004
Poeira, nevoeiro e outros
Estes ultimos dias tem sido complicados, especialmente para quem gosta do Porto.
A derrota caseira na sexta feira com o Beira-Mar ainda veio aprofundar mais a sensac?o de que vivemos dias dificeis. Claro, que esta e uma oportunidade unica para quem quer apenas destilar o seu odio - muitas vezes mal disfarcado pela hipocrisia de diferentes cores e tipos (nacionalista, comercial, mediatica, politicamente correcta, puramente canalha, etc)- contra o Porto. Estes anunciam o fim de um ciclo, que tera comecado exactamente na sexta-feira.
E, se calhar, ate tem raz?o. Mas para ja prefiro deixar assentar a poeira, baixar o nevoeiro, conhecer para poder falar. E o tempo, como sempre, vai-se encarregar de nos dizer o que realmente se passa. Entretanto, vou continuar sempre presente no Drag?o, a viver e a apoiar algo que n?o e redutivel a estruturas, conjunturas ou pessoas: o meu Futebol Clube do Porto.

Posted by JNC at 9:37 PM GMT
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29/11/2004
As duas cabecas
Coincidiram neste fim de semana duas longas entrevistas das duas mais importantes personalidades do futebol portugues nos ultimos 30 anos, com tudo a seu favor para em breve poderem ser consideradas as mais importantes enquanto dirigente e treinador na historia do nosso futebol. Pinto da Costa no Publico e Jose Mourinho no Expresso. Coincidencia ainda mais sumarenta sabendo que as relac?es entre os dois est?o rodeadas de grandes incognitas, depois de terem servido os interesses do FC Porto. Agora ja n?o e assim e foi curioso ver como tanto um como o outros foram descalcando essa bota com a maior desenvoltura possivel.
Mourinho e Pinto da Costa, como ficou mais uma vez bem claro, s?o dois vencedores natos. Vivem para ganhar. Ganham para viver. S?o dois obcecados: vivem para trabalhar no que gostam - futebol em ambos os casos, o FC Porto no caso de Pinto da Costa e treinar no caso de Mourinho - mas tambem por ganhar. De tal foram assim e que ninguem tem duvidas que para eles ganhar esta acima de tudo. Assim s?o os vencedores...Assim garantem a animosidade (ou mesmo o odio) da maioria: porque juntam do outro lado da barricada todos os adversarios mais os invejosos, os imcompetentes e frustrados. N?o e por acaso que Pinto da Costa (arrisco a dizer que sera o homem mais odiado em Portugal - e como isso lhe deve dar gozo...) e Jose Mourinho (ja viram a equipa de futebol que e o Chelsea? Em meia duzia de meses?!) tem tantos "inimigos", detractores e...admiradores, e ate seguidores...Tanto um como outros n?o s?o o genero de homem que se encontra todos os dias. S?o de um genero raro, ainda mais em Portugal: n?o lhes interessa nada se gostam deles ou n?o, desde que estejam a fazer aquilo de que gostam e estejam a faze-lo bem. N?o s?o personagens simpaticas, nem querem se-lo.Querem ser os melhores e s?o-no, e isso n?o cria amizades. Para se ser como eles s?o tem que se deixar muita coisa pelo caminho, para tras, por debaixo, de lado. Mas o caminho e que lhes importa, o caminho da vitoria. Gente desta so se pode amar ou odiar. Ou ent?o, facam como eu, admirem-nos apenas...

Posted by JNC at 12:28 PM GMT
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22/11/2004
Fim de Semana Alucinante
Depois do pesadelo de sabado no Drag?o - perder pela primeira vez no novo estadio e logo desta forma - longe estaria de imaginar que este fim de semana pudesse ainda trazer alguns motivos de alegria. Mais do que isso, o resto do fim de semana provou tsambem que a concorrencia mais directa do Porto n?o tem estofo de campe?o. Onde e que eu ja ouvi isto?!
Seja como for, uma outra ilac?o se pode tirar desta jornada: quem dera que fosse mais vezes assim - quem se lembra da ultima vez que vivemos uma situac?o destas, sem vitorias dos grandes (excepto quando dois deles jogam entre si...). E olhando para a classificac?o o equilibrio na parte superior da tabela ate ao setimo e uma realidade quase inedita, com apenas 4 pontos a separarem o primeiro do setimo (o Sporting...).
Talvez se fosse mais vezes assim, o futebol portugues pudesse ser diferente para melhor, ter mais interesse competititivo a matar a monotonia do G-3.
Mas o que se passou afinal neste fim de semana alucinante para o G-3?
Tudo comecou com mais um episodio da serie portista "Mesmo com nabice, azar, les?es e disparates varios e de varias proviniencias ainda da para ir a frente da SuperLiga" desta vez tendo como cenario o Estadio do Drag?o. Imaginem quantos pontos de avanco n?o teria nesta altura um FC Porto parecido com o das epocas anteriores: as faixas ja estavam entregues. Assim, continuamos a penar e apesar das ausencias e do disparate de McCarthy fomos claramente melhores com dez do que o Boavista com onze. Mas n?o ha nada que n?o aconteca a esta equipa e agora so faltava a les?o do Baia, cuja importancia e fundamental em todos os aspectos. So um pormenor final: eu sei que prometi n?o falar de arbitragem mas queria deixar apenas um pequeno apontamento - repararam como e facil afirmar certezas e azedumes acerca de um certo fora de jogo que resultou em golo depois de ter visto as imagens na televis?o, repetidas ate a exaust?o? Assim e facil, mas n?o e honesto nem justo...Ja muito diferente e a quest?o da politica da terra queimada habitual no futebol do Boavista, com a permissividade da autoridade desde o inicio...
Passando ao Sporting e ao primeiro dos episodios dessa saga que dura ha muitas semanas, "A falta de estofo de campe?o ou sera da falta...de autoridade e caracter vencedor de JP?", aqui temos um exemplo de como se pode passar da terceira para a setima posic?o da Superliga em apenas um segundo, quando ja so faltavam segundos para o fim do jogo. Primeira gargalhada de satisfac?o e gozo, recuperando um pouco da azia...
E chegou o Benfica-Rio Ave. Admito que cada vez menos vejo os jogos do Benfica. Por uma raz?o muito simples: eu sei que e normalissimo querer, desejar ardentemente, a derrota de um clube, mas irrita-me estar ali a sofrer contra, quando o futebol deve ser sofrer a favor. Parece-me demasiado negativo e por isso muitas vezes dedico-me a outras actividades - talvez para compensar o ja muito tempo em que so da futebol nesta cabeca. Mas tendo visto o resumo alargado na TVI (fazendo um esforco para n?o cair do sofa de tanto rir...), posso ter quase a certeza de que tenho o diagnostico para este surpreendente empate (ainda mais depois da equipa da casa ter chegado a 3-1): banho de bola do Rio Ave na Luz. T?o simples quanto isto. Se alguem merecia ganhar foram os vila-condenses. E assim se completou algo de inverosimel: o 3-G n?o ganhou e o Porto manteve a lideranca apesar de tudo. Depois n?o digam que a Liga portuguesa n?o e emocionante...

Posted by JNC at 12:37 PM GMT
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10/11/2004
Sabe bem...
Sabe bem dar tres ao Sporting.
Sabe bem ver uma segunda parte a antiga.
Sabe bem ver o Diego abrir o livro.
Sabe bem sentir que o Derlei esta a melhorar de forma.
Sabe bem ter o Pedro Emanuel no lugar que lhe pertence.
Sabe bem perceber que se calhar o Areias n?o e t?o camelo quanto isso.
Sabe bem ver o palerma do Ricardo dar um grande frango.
Sabe bem ver a diferenca de classe, em todos os aspectos, e mais algum - entre o grande Baia e o vulgar Ricardo.
Sabe bem ter um jogador como o Costinha, que pouco tempo depois do que lhe aconteceu esta ali para as curvas.
Sabe bem confirmar a cada jogo com os outros grandes que o seu complexo de inferioridade perante o Porto n?o para de crescer.
Sabe bem ver e sentir um estadio lindo como o nosso cheio e vibrante.
Sabe bem festejar os golos com os amigos.
Sabe bem ir a jogos destes.
Hoje n?o e dia para falar de coisas tristes e que sabem mal. Porque tambem ha coisas dessas. Mas como dizia a faixa do "Colectivo" mais vale ter dias tristes do que Dias da Cunha.
Na segunda feira soube muito bem ver reencontrar o nosso Porto. Mesmo que saibamos que a inscontancia e a inconsistencia n?o v?o desaparecer de um momento para o outro. Mas com a noc?o de que s?o jogos destes que podem dar confianca a uma equipa que n?o tem tido nada, mas mesmo nada, a seu favor.

Posted by JNC at 3:15 PM GMT
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