Blog Tools
Edit your Blog
Build a Blog
View Profile
16 Jan, 06 > 22 Jan, 06
19 Dec, 05 > 25 Dec, 05
21 Nov, 05 > 27 Nov, 05
31 Oct, 05 > 6 Nov, 05
24 Oct, 05 > 30 Oct, 05
17 Oct, 05 > 23 Oct, 05
3 Oct, 05 > 9 Oct, 05
26 Sep, 05 > 2 Oct, 05
12 Sep, 05 > 18 Sep, 05
5 Sep, 05 > 11 Sep, 05
29 Aug, 05 > 4 Sep, 05
6 Jun, 05 > 12 Jun, 05
23 May, 05 > 29 May, 05
16 May, 05 > 22 May, 05
2 May, 05 > 8 May, 05
25 Apr, 05 > 1 May, 05
18 Apr, 05 > 24 Apr, 05
4 Apr, 05 > 10 Apr, 05
21 Mar, 05 > 27 Mar, 05
14 Mar, 05 > 20 Mar, 05
7 Mar, 05 > 13 Mar, 05
28 Feb, 05 > 6 Mar, 05
21 Feb, 05 > 27 Feb, 05
14 Feb, 05 > 20 Feb, 05
7 Feb, 05 > 13 Feb, 05
31 Jan, 05 > 6 Feb, 05
24 Jan, 05 > 30 Jan, 05
17 Jan, 05 > 23 Jan, 05
10 Jan, 05 > 16 Jan, 05
3 Jan, 05 > 9 Jan, 05
27 Dec, 04 > 2 Jan, 05
13 Dec, 04 > 19 Dec, 04
6 Dec, 04 > 12 Dec, 04
29 Nov, 04 > 5 Dec, 04
22 Nov, 04 > 28 Nov, 04
8 Nov, 04 > 14 Nov, 04
1 Nov, 04 > 7 Nov, 04
25 Oct, 04 > 31 Oct, 04
18 Oct, 04 > 24 Oct, 04
11 Oct, 04 > 17 Oct, 04
4 Oct, 04 > 10 Oct, 04
27 Sep, 04 > 3 Oct, 04
20 Sep, 04 > 26 Sep, 04
13 Sep, 04 > 19 Sep, 04
You are not logged in. Log in
Entries by Topic
All topics  «
Paix?oFC Blog
26/01/2005
H? 8 meses...
Muitas vezes n?o h? nada como reler coisas que escrevemos no passado acerca de certos acontecimentos para percebermos um pouco como as coisas mudam e/ou ficam, como a vida flui e a nossa percep??o (e a percep??o dos outros) se transforma.
Escrevi isto num bloco de apontamentos no espa?o que mediou entre a vit?ria na meia final da Corunha e a final de Gelsenkirchen.
"Agora ? tempo de curtir: estamos na final da Liga dos Campe?es!!!!!!!!
E nada de come?ar a chorar pelo futuro.
Nada mais infeliz e vicioso do que querer manchar o que Mourinho fez pelo Porto com o facto de ele mostrar que quer sair no final da ?poca.
No futebol de hoje tudo tem um pre?o. Claro. Mas n?o pode ser de outra forma. No entanto, enquanto adeptos do Porto, a nossa gratid?o para com Mourinho ? eterna e ilimitada - tal como ? em rela??o ao Derlei e outros.
Mas isso n?o quer dizer que n?o tenhamos a consci?ncia da realidade, da forma como hoje se vive o futebol profissional. Caso seja necess?rio, podem ir todos embora e vir outros. Se ganharem, como estes, ser?o t?o bons como estes s?o.
Porque n?s ? que somos o clube, n?o s?o eles. Podem ser eles que ganham os milh?es, que s?o famosos, mas no fim o que interessa ? o clube - ou seja n?s.
N?s somos o clube - eles jogam por n?s. Como algu?m disse: 'M?gico Porto vence por n?s'. Ou noutra vers?o mais recente : 'Queremos esta vit?ria, conquista-a por n?s'.
Pois.
Nem o Pinto da Costa ? o clube. O clube ? algo muito maior - os nomes (por muito importantes que sejam) passam e ele fica. Fica, fica e fica sempre: desde a Rua da Rainha, desde o in?cio do s?culo, desde os desafios de amigos. Com esta liga??o ? cidade que define este clube e lhe d? uma beleza e uma alma t?o particulares. E que vai passando de pais para filhos e destes para os seus filhos.
Por isso, obrigado Mourinho, por tudo.
? bom que esteja a escrever isto antes das finais. Porque n?o tem nada a ver com os resultados destes jogos que faltam. Tem a ver com os dois anos mais fant?sticos da vida deste adepto - e se calhar da hist?ria do clube.
Lutando contra advers?rios ricos e poderosos - contra uma fortaleza quase inexpugn?vel - o da riqueza, da concentra??o de poder no futebol europeu. E vencer, vencer vezes sem conta. Convencendo, sendo melhor. Lutando e vencendo a arrog?ncia e a inveja de outros, a constante diminui??o do m?rito do clube e dos jogadores. Recentemente, a estrat?gia deles mudou: promove agora o endeusamento de algu?m que odeiam um pouco menos do que o Porto - Mourinho. Mas at? fico satisfeito, porque ele merece. Depois disto fico a torcer por ele, seja em que clube estrangeiro ele estiver. Porque ele merece e porque acredito na gratid?o". (Porto, 7 de Maio de 2004)

Posted by JNC at 1:43 PM GMT
Updated: 26/01/2005 1:49 PM GMT
Post Comment | View Comments (1) | Permalink
20/01/2005
O paradoxo
Quando se pensa um pouco sobre o actual estado do futebol em Portugal ? imposs?vel fugir a uma quest?o de fundo: porque ? que num pa?s em que ? quase imposs?vel sair ? rua ou ligar a televis?o sem ouvir falar de futebol, as pessoas fogem cada vez mais dos est?dios, atingindo-se uma m?dia impressionantes de 7 000 espectadores por encontro na Primeira Divis?o, como aconteceu na ?poca passada (sabendo que se tirarmos destas contas os est?dios dos tr?s grandes estes n?meros caem para valores absolutamente rid?culos) ?
H? muitos tipos de explica??es para este fen?meno: h? quem diga que os portugueses gostam muito ? dos seus clubes e das discuss?es de caf? sobre a bola mas que gostam pouco de futebol em si - mas isso n?o explica porque ? que n?o v?o ver os jogos dos seus clubes. Outros atiram as culpas para a perda de qualidade dos encontros - em resultado da partida para as melhores Ligas europeias dos grandes craques. Mas h? ainda quem responsabilize a fraca capacidade de gest?o profissional dos clubes e da Liga bem patente nas ainda p?ssimas condi??es proporcionadas por alguns est?dios ou pela falta de pol?ticas de atrac??o de adeptos - nomeadamente os jovens. Qualquer destas raz?es tem com certeza peso na actual situa??o. No entanto, outras raz?es s?o importantes: como por exemplo o elevado pre?o os bilhetes, claramente acima do n?vel do de vida do pa?s, numa dif?cil situa??o econ?mica com os portugueses cada vez mais endividados. E depois temos outro aspecto a considerar: para os adeptos em Portugal futebol significa cada vez mais mediatiza??o e principalmente televis?o. ? raro o ano que n?o feche com as transmiss?es futebol?sticas na lideran?a das audi?ncias televisivas. Em 2002, por exemplo, os seis programas mais vistos na televis?o portuguesa foram jogos de futebol. O caso do Portugal-Brasil realizado antes do Campeonato do Mundo de 2002 foi not?vel, atingindo uma audi?ncia de quase 4 milh?es de espectadores em Portugal, sendo que os jogos disputados pela Selec??o Nacional no Mundial-2002 n?o lhe ficaram muito atr?s, apesar de serem transmitidos durante a manh?. E no Euro-2004 estes n?meros foram ainda ultrapassados. Entre tansmiss?es do futebol portugu?s e de outros campeonatos e provas internacionais quase n?o h? dia da semana em que n?o seja poss?vel ver futebol na TV. Mas a extraordin?ria mediatiza??o do futebol n?o fica por aqui: n?o ? por acaso que existem 3 jornais desportivos di?rios, sendo que 90% das suas p?ginas s?o dedicadas ao desporto-rei. Acresce dizer que num pa?s com reduzidos ?ndices de leitura, estes tr?s jornais di?rio, "A Bola", "O Record" e "O Jogo", lan?am no seu conjunto entre 300 mil e 400 mil exemplares por dia, ocupando qualquer um deles o "top 5" dos jornais mais vendidos.
Assim, cada vez mais o futebol ? um desporto e um espect?culo de sof?, designadamente em Portugal. E cada vez menos de est?dio, de participa??o, de viv?ncia real, de partilha de emo??es e sentimentos, de ac??o e sentir colectivo. Infelizmente, n?o ? s? no futebol que isto acontece...

Posted by JNC at 12:19 PM GMT
Post Comment | Permalink
13/01/2005
O Natal ainda n?o acabou
Lembro-me de que no jogo de computador Championship Manager (que passei muitas horas a jogar, treinando uma fabulosa equipa do Felgueiras tornada campe? da Europa apos epocas e epocas de perseveranca e dedicac?o!) quando procuravamos comprar determinado jogador a uma equipa da nossa igualha, que se encontrava em competic?o directa com a nossa, a resposta era invariavelmente: "o clube n?o esta na disposic?o de vender este jogador a uma equipa rival". O que parece fazer todo o sentido, tambem na realidade. Mas no futebol de hoje, ou pelo menos no FC Porto de hoje, isso ja n?o e assim e a provar esta o emprestimo a meio da epoca (nem sequer e uma venda!) do Hugo Almeida ao Boavista. Isto nem a brincar. Ent?o um clube vai dar de barato (emprestado) um jogador de qualidade, jovem, a um clube rival, com quem esta ate empatado em termos classificativos as portas da ultima jornada da primeira volta do "Nacional" ? Ou sabem os dirigentes do Porto coisas que nos n?o sabemos? Sabem que o Hugo Almeida esta proibido de marcar golos? Ou que o Boavista vai apenas lutar pela Europa enquanto o Porto vai continuar na disputa do titulo?
Tudo isto levanta ainda outras quest?es cruciais: que verdade desportiva se procura numa prova em que, por exagero, em ultima instancia dois clubes poderiam, se quisessem, trocar todos os jogadores mais o treinador a meio da prova?
Como sempre acontece hoje em dia quando nos perguntamos das raz?es para estas autenticas aberrac?es que vemos no nosso futebol, as perguntas v?o sempre apontar direitinhas para o grande $ e para os "lobbies da bola" que gerem os clubes e as outras instituic?es do futebol.
So que o problema e que independentemente de onde e para onde se olhe so vemos asneiras nessa gest?o...Asneiras e estadios vazios, transferencias inacreditaveis e ate estes emprestimos surreais. Ou me engano muito ou ainda vamos, nos portistas, sofrer com os golos do Hugo Almeida, a quem provavelmente continuamos a pagar uma parte do ordenado, cuja formac?o financiamos e cujos prestimos cedemos qual prenda de Natal atrasada aos nossos antigos-novos aliados do Bessa. Haja paciencia e muito corac?o...azul e branco para aguentar estes malabarismo inacreditaveis de saidas e entradas, vendas e emprestimos, cedencias e dispensas, a meio da epoca.

Posted by JNC at 2:44 PM GMT
Updated: 13/01/2005 9:40 PM GMT
Post Comment | Permalink
12/01/2005
O que vale e que ninguem percebe...
Por muito que tente, n?o percebo. Mas o que vale e que parece que n?o sou so eu: ninguem percebe como e que s?o geridos afinal os grandes em Portugal.
O que e verdadeiramente irritante e a forma como a gest?o destes clubes parece ser feita n?o atraves de um modelo definido mas antes no fluir de forcas poderosas mas muitas vezes contrarias: por um lado, ainda na tradic?o associativista, movida pelo voluntarismo dos dirigentes, adeptos ferrenhos do proprio clube, quase sempre pouco preparados para o futebol dito "industrial" e "comercial" da nova era; por outro lado, ja com um grande peso dos gestores profissionais, sempre a fazer contas aos deficit e superavites, marketings e merchandisings, bolsas e mercados, mas de futebol nada. Finalmente, a gest?o dos clubes parece obedecer ainda aos interesses pessoais/financeiros de toda esta gente e mais alguma (com destaque para essa figura nubelosa dos empresarios dos jogadores)que encontrou no mundo da bola forma de enriquecimento rapido e substancial. E assim para nos, adeptos comuns, fica tudo muito dificil de compreender: clubes com dezenas e dezenas de jogadores sob contratos milionarios, jogadores emprestados com o ordenado a ser pago (total ou parcialmente) por quem empresta, jogadores que chegam e s?o vendidos no mes a seguir, dispensas lesivas dos interesses dos clubes, aposta continua no mercado brasileiro quando ja se percebeu que ha normalmente problemas graves acarretados pelo excesso de brasileiros num plantel, falta clara de uma aposta na formac?o e na transic?o dos jovens para as primeiras equipas,enfim, uma permanente agitac?o de chegadas e partidas de jogadores, de compras, vendas e emprestimos, de fundos de jogadores e empresas que detem passes de futebolistas (a ultima moda), que me fazem crer que tudo isto tem como ultimo e quase unico objectivo fazer dinheiro e mais dinheiro, sendo a gest?o de um clube e de um plantel o menos importante nisto tudo. E cada vez menos estaremos a falar de futebol e mais de negocio, ainda por cima tendencialmente obscuro. E nos, os adeptos comuns, cada vez mais parecemos e nos sentimos ridiculos, uns patetas, alegres ou tristes conforme as circunstancias, dando importancia aquilo que apenas serve para fazer dinheiro, mais ou menos escuro. Sofrendo com clubes e jogos que apenas servem para servirem os interesses de pequenos grupos cujo jogo e muito diferente do nosso.
Por tudo isto, dou por mim a pensar: que cheguemos depressa a uma situac?o de dominio absoluto da gest?o profissional/racional no futebol em Portugal, com os accionistas a controlarem realmente o que se passa nos clubes, com mecanismos de racionalizac?o da gest?o, para que ao menos se saibam os comos e os porques.
Para ja, continua-se a bater forte e feio na galinha dos ovos de ouro. Vamos ver ate quando ela resiste...

Posted by JNC at 12:55 PM GMT
Post Comment | Permalink
07/01/2005
O futebol neoliberal (ou "queremos de volta o nosso jogo!")
Li h? pouco tempo que o FC Barcelona estava disposto a investir milh?es na compra do passe de um jovem futebolista argentino de 12 anos.
Ao ponto a que as coisas chegaram. O futebol entrou numa fase de mercantiliza??o profunda, de verdadeira escalada econ?mica, que tem posto em perigo de forma arrepiante a sua pr?pria identidade. Apenas se procura potenciar o lado mais espectacular, sempre muito rent?vel (ainda um dia o futebol vai ser um pretexto para se venderem pipocas, como j? acontece com o cinema de Hollywood...), deixando de lado muitos dos verdadeiros adeptos e valores tradicionais do jogo.
Como diz S?rgio Pami?s, no pref?cio da sua biografia de J. Cruyff, "perdeu-se o limite econ?mico...(...) entrou-se numa espiral muito perigosa (...) em que se fala cada vez mais de dinheiro, patrocinadores, direitos de imagem, publicidade, rentabilidade, intermedi?rios, superavit e deficit, e cada vez menos de futebol e dos seus valores."
O que me preocupa ? como o neocapitalismo dominante se apoderou do nosso jogo - uma das formas culturais fundamentais da Modernidade - e o colonizou transformando-o em seu servo. O sucesso e o rendimento s?o palavras que dominam o pr?prio jogo e a sua conceptualiza??o e organiza??o. E a responsabilidade ? de todos os agentes.
- Clubes que programam pr?-?pocas para vender camisolas e treinos
- Clubes que "compram" jogadores para vender camisolas, mesmo que para isso cheguem ao c?mulo de s? adquirir avan?ados centro ou extremos direitos.
- Jogadores que passam mais tempo a viajar para ac??es de publicidade do que a treinar.
- ? FIFA e ? UEFA s? falta matarem os jogadores com tantos jogos e tantas competi??es diferentes.
- As selec??es nacionais jogam encontros disparatados (ou contra equipas de amadores ou em particulares que fazem parte de contratos publicit?rios).
- Jovens de todo o mundo (incluindo africanos, sul americanos) s?o tratados como gado, trazidos para a Europa enquanto s?o promessas e abandonados depois quando n?o evoluem segundo as expectativas.
- Os jogadores chegam atrasados de f?rias, demonstrando uma total falta de respeito pelos clubes ques lhes pagam principescamente e pelos adeptos que os idolatram
- Os adeptos continuam a considerar inaceit?vel a derrota, a descarregar em cima dos ?rbitros a sua frustra??o, a considerar os advers?rios como inimigos, a querer a vit?ria a todo o custo, a contribuir para um clima de guerra geral.
- Os ordenados dos craques atingiram valores exorbitantes, inaceit?veis: n?meros de 2002 apontavam para aumentos salariais na ordem dos 300 por cento em Inglaterra e It?lia, com n?meros perto dos 200 por centos noutras Ligas, isto entre 1997 e 2002. Nesta altura existiam clubes com deficits de 100 por cento entre receitas e despesas.
- Os clubes falam em conseguir atrair novos adeptos mas esquecem-se dos antigos, aqueles que deixaram de ir aos est?dios e aqueles que est?o prestes a deixar de o fazer (num pa?s com est?dios novos, temos 5000 espectadores em m?dia em cada est?dio da Primeira Divis?o)
- Os clubes tratam genericamente mal os seus adeptos mais fieis (quase sempre os menos favorecidos), reservando uma grande parte dos est?dios e dos melhores lugares para os box offices, para os convidados dos patrocinadores, para os VIP e outros amigos.
Hoje em dia, quando se acha aceit?vel e at? genial que chegue ? conclus?o, e que se propale aos sete ventos, que o Benfica ? acima de tudo uma MARCA - uma grande marca - procura-se tornar natural este processo de quase total mercantiliza??o do futebol, estabelecendo que a principal rela??o que existe ali ? entre um consumidor e um produto. Por isso se diz que o futebol ? uma ind?stria e para isso temos que ter bons espect?culos.
Do que se esquecem estes industriais do futebol ? que o mais importante da rela??o entre os ind?viduos e este jogo s?o as lealdades, a identifica??o entre os adeptos e os clubes, os sentimentos e emo??es que dessa rela??o nascem e se desenvolvem durante toda uma vida, quantas vezes uma heran?a de pais para filhos e por a? fora...
Para animar um pouco este quadro negro, duas hist?rias de humor e esperan?a:
Um modesto clube das ligas amadoras inglesas, o St Albans City, recusou em 1993 uma apelativa possibilidade de subir de escal?o porque foi exigido ao clube que cortasse duas ?rvores - uns carvalhos antigos - que existiam no seu est?dio, por detr?s de uma das balizas. As condi??es eram claras: se o St. Albans quisesse participar na referida Liga as ?rvores tinham que desaparecer. A competi??o come?ou sem o St. Albans, mas as ?rvores continuaram no mesmo s?tio. At? hoje.
Num dos seus v?rios livros sobre futebol, o soci?logo Anthony King, conta um epis?dio ocorrido em 1995 num debate entre o ent?o director executivo do Newcastle United, Freddie Fletcher, e um membro de uma associa??o de adeptos do clube ingl?s, Kevin Miles. Perante a insist?ncia dos adeptos em estarem representados na direc??o do clube, pretens?o que este rejeitava, Fletcher utilizou como argumento o facto de os consumidores de um centro comercial n?o estarem representados na sua administra??o. Ao que Miles lhe respondeu que os consimidores dos centros comerciais n?o passam os seus dias a pensar, ler, a discutir, a viver, os seus centros comerciais, nem t?o pouco t?m camisolas, bandeiras, cachecois dos mesmos.



Posted by JNC at 12:47 AM GMT
Updated: 07/01/2005 12:52 AM GMT
Post Comment | Permalink
04/01/2005
Assim e demais!
Defendia eu, ainda recentemente, a paragem na Liga portuguesa e surgiam pouco depois as noticias de diversos atrasos consideraveis de jogadores brasileiros (e ate de treinadores de outras paragens...)no regresso aos seus clubes.
Salvaguardando as situac?es especiais e tentando n?o me reportar a casos especificos, parece-me que estes s?o exemplos de uma total falta de respeito pelas entidades que pagam (principescamente) aos atletas e pelos proprios adeptos (que os idolatram). Como e possivel que pessoas t?o privilegiadas social e economicamente n?o demonstrem a minima responsabilidade e respeito pelo estatuto que detem? Como e que podem ser t?o indiferentes e laxistas perante a realidade em que vivem? Para mim isto chega a ser falta de decencia e chego a perguntar-me como e que podemos esperar que se construam colectivos fortes (equipas) quando os seus elementos tem atitudes t?o egoistas e pouco profissionais. Isto diz muito tambem sobre o futebol portugues, mas igualmente sobre a propria sociedade abrangente: o ambiente geral que se vive e de incompetencia, irresponabilidade e desresponsabilizac?o. Vivam os direitos, que se lixem os deveres. Ainda para mais por parte de pessoas com altas responsabilidades, tambem sociais, os ditos modelos de acc?o.
No que diz respeito ao Porto - afinal de contas o caso que me interessa mais - desilude-me muito ver isto acontecer, designadamente em relac?o a jogadores que ate admiro bastante. Prova, na minha opini?o, que afrouxou muito a disciplina e o codigo de conduta dentro do plantel, com o resultado que temos visto. Apesar disso, a direcc?o (ou SAD, ou que quer que seja...)portista, parece n?o querer deixar que certos limites sejam ultrapassados - na linha do que aconteceu antes do Natal com os castigos a Carlos Alberto e Quaresma - tentando evitar que os maus exemplos vindos do Sul do pais grassem tambem num clube que tem vivido muito da disciplina interna, da coes?o do grupo, da forca do colectivo, onde ha regras de comportamento claras e para todos. Isso (tambem) tem feito a diferenca. Que n?o se perca definitivamente!

Posted by JNC at 12:35 AM GMT
Post Comment | Permalink
27/12/2004
Comparac?es...
Por esta altura do ano, e sagrado, la surgem os usuais comentarios ao inusual calendario futebolistico ingles, destacando as diferencas relativamente ao portugues, e servindo de catapulta para as restantes comparac?es do costume, sempre depreciativas no nosso sentido. Compara-se o grau de profissionalismo, de organizac?o, de sacrificio: "...la os jogadores realizam tres jogos com tres dias de diferenca entre cada um, n?o tem passagem de ano, etc etc, la o futebol e que e, ca e uma grande merda, s?o uma cambada de preguicosos."
Por acaso ate gosto muito desta tradic?o inglesa - adoro ver os jogos do Boxing Day na televis?o, com aquele ambiente especial, que bom ter futebol no dia de Ano Novo, enquanto se espera pelo almocinho...Mas deixem que seja apenas isso: uma tradic?o inglesa. N?o usem esse exemplo para criticar a paragem do campeonato portugues (de dia 19/12 a 9/1), porque ent?o tem que admitir que se use os (bons) exemplos das ligas espanhola e italiana, onde tambem se efectuam este tipo de paragem. Ou s?o estes campeonatos uma porcaria?
Com a overdose de futebol que existe durante quase todo o ano, n?o vejo mal nenhum que, de vez em quando, tenhamos um descansozinho (que os ingleses n?o deixam que chegue a ser opressivo...), designadamente na TV, permitindo que certas pessoas possam tornar-se de novo acessiveis aos amigos e familiares. Pode ent?o, talvez..., voltar a falar-se de outros assuntos, reparar noutras realidades e temas, enfim mudar-se um pouco de canal...
No fundo, ate acho bem esta paragem para respirar.
E ate permite ao clube "diferente", da moral inquestionavel, dos principios acima de qualquer reparo, arranjar um esquemazito para limpar o castigo de um jogador...

Posted by JNC at 5:58 PM GMT
Post Comment | Permalink
19/12/2004
Pedro Emanuel
Sempre me fascinaram as situac?es em que os actores secundarios passam, por momentos, a principais. Por uma quest?o conjuntural - mas sempre com merito, pelo menos de saberem estar no sitio certo na altura certa - passam a ser estrelas cintilantes. E esses momentos eternizam-se, porque ficam na memoria de todos ainda com mais forca.
Foi o que aconteceu a Pedro Emanuel na final de Toquio. Como ele proprio disse "N?o tive medo de ser feliz!". Mas mais do que ele disse, falou o seu olhar determinado antes da marcac?o do pontape da marca da grande penalidade que trouxe para o Porto a ultima Taca Intercontinental.
Pedro Emanuel, que comecou por ser uma autentico "pato feio" nas Antas (vinha do rival Boavista e fora um simbolo da mistica guerreira do clube), conseguiu assim convencer os ultimos criticos - pela forca do seu caracter, pela sua determinac?o e por que foi o homem certo no local e momento certos.
Mas n?o era preciso demorar tanto para chegar aqui. E uma quest?o de justica: Pedro Emanuel assumiu-se desde o inicio como um jogador "a Porto", provando em campo, nas poucas oportunidades de que dispos, que no seu caso "ser portistas desde pequenino" n?o era discurso ensaiado. Esteve em todas as grandes conquistas do Porto como parte do nucleo central de 13/14 jogadores - e varias vezes entrou na luta para ter acc?o determinante em momentos muito dificeis (em Atenas; na final de Sevilha; na Corunha). N?o foi por acaso que jogou os ultimos minutos em Gelsenkirchen, para que o seu grande merito fosse tambem reconhecido.
Pedro Emanuel e um actor secundario ao jeito dos grandes secundarios de Hollywood: seguro, serio, confiavel, aguerrido, jogador de equipa, sempre preparado para o sacrificio em nome do grupo. Tal como os secundarios de Hollywood, ele e uma das bases em que assenta todo o equilibrio do grupo, da equipa.
Por tudo isso, Pedro Emanuel mereceu toda a sorte de estar no momento e local certos para ser estrela por um dia e para sempre.

Posted by JNC at 3:20 PM GMT
Post Comment | Permalink
12/12/2004
Emoc?es fortes - o ceu e o inferno t?o proximos
Acredito totalmente que ha coisas que n?o se podem exprimir com palavras. So se podem sentir, viver, experimentar. No entanto, n?o podemos deixar de as escrever, nem que seja para que fiquem registadas. Se calhar para voltarmos a vive-las de alguma forma mais tarde.
As vitorias do Porto contra o Chelsea e o Once Caldas s?o desse tipo de coisas muito especiais.
Antes de mais porque surgem num momento muito dificil para nos portistas. Quer queiramos quer n?o, e extremamente delicada a situac?o que vivemos hoje, nem que fosse em termos puramente simbolicos, animicos... E a forma como a equipa actua - tanta irregularidade, dependencia da boa ou ma disposic?o de certos jogadores, etc - n?o ajuda nada. Por isso vivemos entre estados extremados e como se tal n?o chegasse nunca eu vi uma epoca em que uma equipa tenha tido tais extremos de sorte e azar (felicidade enorme em jogos como os da Supertaca, na Luz, Moscovo ou em casa frente ao Chelsea e azar a toda a prova frente a Estoril, Leiria, CSKA, PSG, Nacional, Boavista, Beira-Mar e Once Caldas).
Assim chegamos a estes dois jogos absolutamente decisivos, de tudo ou nada, com a confianca em baixo, receosos de perder mais oportunidades unicas para nos mantermos na "creme de la creme" do futebol mundial, entre os melhores dos melhores.
Por isso, e ainda porque havia o factor Mourinho, o final do jogo contra o Chelsea foi inesqucivel: nunca vi e senti um ambiente de tanta loucura no Drag?o, de euforia colectiva, de adrenalina partilhada e elevada a enesima potencia. Uma casa de loucos, incluindo eu, que deixei o estadio a saltar e a dar socos no ar, como uma crianca, ou como Mourinho em Sevilha. Que ironia, n?o? Mas sai tambem orgulhoso de ter assistido e participado na calorosa recepc?o que o nosso antigo "mais do que tudo" recebeu no inicio do jogo.
Como estamos sempre t?o perto do inferno e do ceu enquanto adeptos de futebol! Por todas estas raz?es ja apontadas e mais alguma, o jogo com o Chelsea foi, no seu final, uma verdadeira ascens?o das profundezas do inferno.
E hoje, voltamos a estar a um passo de cair nesse abismo e acabamos novamente no paraiso - tudo em duas horas quase inacreditaveis de drama, emoc?o, estados extremos. Acho que nunca vi tamanha injustica em noventa minutos: jogo nun so sentido, quatro bolas nos postes e barras (duas delas na mesma jogada), dois golos mal anulados, apenas uma equipa a querer jogar e a outra a espera dos penalties desde o minuto um.
E a verdade e que estiveram a um mero penalty de protagonizar tal injustica everestiana. Valeu finalmente um pouco de sorte e um querer quase desumano dos jogadores do Porto: onde e que ja se viu gente como Jorge Costa, Ricardo Costa e Pedro Emanuel a marcar penalties com a classe e frieza de um numero 10 de categoria mundial? E preciso querer muito ganhar, querer com toda a alma! E essa alma ninguem nos pode tirar. Por isso no fim, foi um longo grito, que se foi tornando rouco, enfim liberto: "GANHAMOS". E deve ter-se ouvido em Toquio, onde o nosso Vitor Baia nos pregou aquele terrivel susto; o Diego soltou toda a sua genialidade e caracter (como foi lindo finalmente alguem poder verbalizar exactamente aquilo que todos sentiamos em relac?o aquele guarda-redes inenarravel, cuja namorada deve ser realizadora da televis?o que cobriu a final; o Maniche esteve em todo o lado; e o McCarthy merecia marcar um dos golos de uma vitoria avantajada. Mas se calhar foi melhor assim, porque mostramos que estamos bem vivos e como uma alma ate Almeida! E agora podemos voltar a cantar: "Somos nos, somos nos, os campe?es do mundo somos nos!" Um abraco para todos os portistas! POOOOOOOORTTTTTOOOOOO!

Posted by JNC at 4:44 PM GMT
Post Comment | Permalink
07/12/2004
Bola da cabe?a aos p?s

O Andr? tem 10 anos. Vive com os av?s, perto do mar. Tem um olhar vivo, num corpo franzino. ? bom aluno na escola, gosta de aprender e de estar com os amigos. Mas tem uma paix?o maior do que todas as outras: o futebol.
O av? do Andr? diz que ele n?o larga a bola de futebol durante o dia todo. "Parte-me tudo l? em casa, d? cabo das plantas, dos vasos, dos vidros e das outras coisas que se ponham ? frente da bola."
O Andr? joga sozinho, em casa, horas a fio. Joga com os amigos na escola. Joga com os colegas de equipa no clube onde treina. Tem aquilo a que os mais velhos chamam "jeito", parece ter nascido para jogar ? bola. O treinador do Andr? diz que ele tem uma intui??o rara para o futebol, que ele pensa e age mais depressa do que os outros; o av? chama-lhe "vis?o de jogo".
O Andr? tem aquela caracter?stica que distingue os craques (embora ele possa nunca chegar a ser um...pelo menos daqueles que vemos na TV): parece jogar na ponta dos p?s, flutuar em vez de correr, acariciar a bola no lugar de lhe bater.
E no entanto ? t?o franzino e aparentemente fr?gil: as suas pernas parecem incapazes de chutar com for?a ou resistir a uma entrada mais dura. Mas mesmo assim, corre sem parar, finta, passa e chuta para marcar, sacrifica-se pela equipa, luta para ganhar, sempre infatig?vel. O que n?o quer dizer que n?o chegue ao fim dos jogos estafado. O av? diz que ele podia jogar melhor se n?o se cansasse tanto por andar sempre a jogar ? bola: no quintal, na sala, no quarto, na escola, na rua. Em todo o lado com a bola nos p?s e um sorriso no rosto.
N?o ? poss?vel dizer se o Andr? vai ser jogador de futebol profissional. H? tanta coisa que acontece na vida. Mas d? um prazer t?o grande v?-lo a jogar...e ele tem s? dez anos. ?s vezes faz rir ver a suas fintas curtas e desconcertantes, a forma como domina docilmente bolas que caem pesadas e quadradas vindas de p?s mal jeitosos. "Parece o Zidane", afirmam com admira??o os seus colegas quando o v?em amansar uma bola dif?cil como se fosse a coisa mais f?cil e natural do mundo. E para ele ?.
?s vezes, fico a imaginar o Andr? no seu dia a dia: abra?ado ? bola quando dorme, aos chutinhos pela rua a caminho da escola, a fintar os colegas no jogo do intervalo grande, a voltar para casa cansado com a bola debaixo do bra?o, mas a antecipar j? uns toques depois de lanchar e uns golos entre as duas ?rvores do quintal a seguir ao jantar.
Sei bem porque ? que me ? t?o f?cil imaginar tudo isto: eu tamb?m fui assim e de certa maneira cont?nuo a ser. N?o passo o dia com a bola nas m?os ou nos p?s (porque n?o posso), mas ela n?o me sai da cabe?a. Por isso fiz do futebol a minha profiss?o, pensando, estudando e escrevendo sobre ele. ?s vezes canso-me, porque para mim parece n?o haver exist?ncia para al?m dele. Mas no dia seguinte, tudo volta a ser como sempre foi e o mundo a rodar como uma bola de couro.
N?o fui jogador de futebol profissional - h? tanta coisa que acontece na vida...- e n?o tenho amargura por isso. Joguei sempre por prazer e com amigos. E se calhar isso ? ainda melhor do que jogar (tamb?m) por dinheiro. Nunca fui um dotado como o Andr? - provavelmente n?o seria suficientemente bom para jogar "a s?rio" - mas a paix?o, a intui??o para o jogo e uma competitividade feroz sempre compensaram a falta de habilidade nata e de vista (sempre vi mal...). Assim vivi tantos momentos de felicidade absoluta com a bola nos p?s e um sorriso no rosto.
Agora o futebol traz-me, finalmente, alguma amargura: a idade n?o perdoa e as les?es tornam-se uma praga. Parece claro que tenho que ter a coragem de arrumar as botas um destes dias - porque jogar devagar e sem for?ar n?o me chega...Talvez esteja na hora de viver o futebol atrav?s do Andr? e de outros como ele, enquanto treinador de crian?as. Porque tirar o futebol da minha cabe?a ? t?o dif?cil como tirar a bola dos p?s do Andr?.

Posted by JNC at 12:49 AM GMT
Post Comment | Permalink

Newer | Latest | Older