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Paix?oFC Blog
11/02/2005
Planeta do Futebol.
Para quem gosta de futebol - mas gosta mesmo de futebol, e n?o de guerras e guerrinhas, quest?es redundantes acerca de arbitragens e odios mesquinhos, discuss?es interminaveis acerca de quem e melhor, ou se contam mais os titulos do presente ou os do passado - aconselho vivamente uma pequena viagem internautica ate www.planetadofutebol.com , o melhor site sobre futebol que conheco, com a "assinatura" de Luis Freitas Lobo. Com analises profundas sobre diversos temas, desde os mitos da bola, os jogadores, os clubes, as taticas, a historia, este site e um verdadeiro paraiso para o amante do futebol. LF Lobo demonstra um conhecimento imenso sobre a materia e ainda por cima escreve muito bem, transformando cada texto num prazer enorme para quem le...e aprende.
Sem duvida, uma visita obrigatoria, que no meu caso se transformou em regular.

Posted by JNC at 1:28 PM GMT
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06/02/2005
McCarthy e Diego
N?o vale a pena fazer muitos comentarios ou tirar grandes ilac?es da estreia de Couceiro no jogo do Estoril. Claro que muito se vai dizer mas e demasiado cedo.
Para mim, pessoalmente, passei uma parte do jogo a pensar na atitude e acc?o de dois jogadores: Diego e McCarthy.
O primeiro e um jogador que ha ja bastante tempo muito admiro por o ver jogar no Santos, com uma alegria e um talento raros no futebol de hoje. O segundo, representava ate ha pouco tempo o tipo de jogador que n?o me entusiasma, embora admitindo o seu valor.
Diego e hoje um claro exemplo de desadaptac?o: triste em campo, ontem como noutros jogos, apos duas ou tres entradas assassinas (de que quase sempre e vitima no inicio dos jogos - ja se tornou um sistema para o anularem) deixa de jogar e torna-se uma figura de corpo presente. N?o sei o que vai ser deste miudo de 19 anos perdido no futebol portugues. Tivesse ele um Jose Mourinho como treinador e veriam o que poderia fazer Diego...
McCarthy tem sido nos jogos mais recentes (com destaque para o encontro com o Estoril) a mais agradavel e inesperada das surpresas. Deixou de se limitar ao papel de avancado-centro egoista (ainda que um dos melhores rematadores do futebol actual), preso de movimentos, muitas vezes alheado do proprio jogo, quantas vezes irritantemente "autista" dentro da equipa e do campo, para se tornar num verdadeiro "guerreiro" ao servico da equipa, lutando ate a exaust?o, defendendo quando necessario, actuando longe do seu lugar de eleic?o, quase como medio ala direito em alguns casos, mostrando que esta ali para ser mais um a ajudar a equipa. Nunca pensei ver isto acontecer, e a minha admirac?o por McCarthy multiplicou-se por mil.
Finalmente, em relac?o ao encontro do Estoril, apenas mais uma ideia: por favor, n?o deixem a TVI transmitir jogos do Porto porque sen?o tenho que passar a acompanhar as partidas sem o som da transmiss?o. N?o e possivel tanto facciosismo indisfarcado, odio anti-portista e ainda incompetencia para compor o triste ramalhete final. O senhor Jo?o Querido Manha levou a coisa a pontos inaceitaveis neste jogo, como noutros, fazendo afirmac?es quase inacreditaveis: "golos fortuitos do Porto", "falta de atitude dos jogadores", "sacrificio de McCarthy prejudica a equipa", etc e tal. S?o senhores destes que tambem contribuem para tanto radicalismo do outro lado, porque n?o e possivel ficar indiferente ao destilar de odio assim. O Senhor Jo?o Querido Manha, pode ser muito querido (para os anti-portistas) mas da manha dele ja estamos nos fartos.

Posted by JNC at 3:26 PM GMT
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04/02/2005
Fobias
Ja andava ha uns tempos para escrever sobre isto e por isso ontem n?o pude deixar de aplaudir o artigo de JM Ribeiro em "O Jogo". Diz o articulista e muito bem, que ja comeca a ser de mais e de mau gosto esta permanente insistencia (tambem dos media) acerca do excesso de brasileiros e supostas consequencias nefastas na equipa do Porto.
Comeca a cheirar a xenofobia, daquela banal e corriqueira, que muitas vezes passa despercebida, e cujo imenso poder ideologico advem exactamente desse caracter dessimulado.
O problema do FC Porto n?o tem directamente a ver com o facto de ter muitos jogadores brasileiros. Pode resultar de falta de disciplina, de falta de motivac?o, de falta de adaptac?o ou de falta de experiencia dos jogadores, o que quiserem. Mas n?o me resumam as coisas a nacionalidade dos jogadores e as supostas caracteristicas nacionais dos mesmos. Nenhuma equipa tem mais brasileiros do que a Selecc?o brasileira e no entanto e a equipa campe? do Mundo. O elogiado futebol do Barcelona e jogado com recurso a seis(6)jogadores brasileiros no plantel catal?o. O Milan, outro colosso, tem pelo menos 4 brasileiros. E ja agora podia perguntar-se: e assim t?o escandaloso ter 7 brasileiros no plantel, como o Porto, mas ja n?o e um exagero ter 6 (como o Benfica) ou 5 (como o Sporting).
Entramos com este tipo de explicac?o no campo dos discursos xenofobos e racistas bem ao estilo de outras explicac?es do genero: "porque e que ha desemprego? Por causa dos imigrantes!" Imaginem se fossem os portugueses que jogam no estrangeiro a serem considerados como responsaveis (apenas por serem portugueses) por as coisas correrem mal?! Seria justo?
Se os jogadores que se contratam tiveram qualidade, profissionalismo, humildade e espirito de equipa, pouco importa se s?o brasileiros ou n?o. E ja agora, da mesmo muito jeito que correspondam a necessidades do plantel e n?o apenas a negocios proveitosos para as carteiras de alguns...

Posted by JNC at 5:11 PM GMT
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31/01/2005
Ja nem disfarcam!
Continuamos a ver os maiores exemplos de oportunismo, de falta de qualquer tipo de etica, de descaramento mercantilista no futebol portugues e n?o vejo ninguem achar isto estranho, nem digno de uma palavra. O famoso (ate agora so pelo nome, embora n?o me tenha desagradado na sua primeira aparic?o no Drag?o) Pitbull chegou a Portugal pela m?o do seu empresario que n?o o deixava falar com ninguem sem estar por perto, fazendo um joguinho baixo de chantagem sobre o Porto ao proclamar que havia "grandes equipas da Alemanha muito interessadas no jogador", que ainda nada estava decidido, que se o Porto quisesse tudo correria bem, etc. Vendedor de tapetes. Ele ficou.
Agora, e a vez do Ibson, que veio para Portugal, comprado por um grupo de empresarios, mas sem destino. Esta ai, segundo os empresarios pronto para se sentar a mesa - vai ter que se sentar muito depressa porque as inscric?es fecham hoje as seis da tarde...Assim se pressionam os clubes, se negoceiam jogadores recorrendo aos truques mais baratos, fazendo-se negociatas torpes no tempo do proclamado futebol de gest?o profissional. Deixem-me rir. Ao que isto chegou.
Entretanto, muitos clubes mudam de jogadores o mais depressa possivel para que o dinheiro rode o mais rapido possivel, enchendo os bolsos desta gente. Nas bancadas, os adeptos gritam, insultam, enfurecem-se. Adianta-lhes muito. N?o tomem (e n?o tomam, quanto querem apostar?!) os destinos dos seus clubes em m?os, e v?o ver onde os mesmos v?o parar...

Posted by JNC at 1:37 PM GMT
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26/01/2005
H? 8 meses...
Muitas vezes n?o h? nada como reler coisas que escrevemos no passado acerca de certos acontecimentos para percebermos um pouco como as coisas mudam e/ou ficam, como a vida flui e a nossa percep??o (e a percep??o dos outros) se transforma.
Escrevi isto num bloco de apontamentos no espa?o que mediou entre a vit?ria na meia final da Corunha e a final de Gelsenkirchen.
"Agora ? tempo de curtir: estamos na final da Liga dos Campe?es!!!!!!!!
E nada de come?ar a chorar pelo futuro.
Nada mais infeliz e vicioso do que querer manchar o que Mourinho fez pelo Porto com o facto de ele mostrar que quer sair no final da ?poca.
No futebol de hoje tudo tem um pre?o. Claro. Mas n?o pode ser de outra forma. No entanto, enquanto adeptos do Porto, a nossa gratid?o para com Mourinho ? eterna e ilimitada - tal como ? em rela??o ao Derlei e outros.
Mas isso n?o quer dizer que n?o tenhamos a consci?ncia da realidade, da forma como hoje se vive o futebol profissional. Caso seja necess?rio, podem ir todos embora e vir outros. Se ganharem, como estes, ser?o t?o bons como estes s?o.
Porque n?s ? que somos o clube, n?o s?o eles. Podem ser eles que ganham os milh?es, que s?o famosos, mas no fim o que interessa ? o clube - ou seja n?s.
N?s somos o clube - eles jogam por n?s. Como algu?m disse: 'M?gico Porto vence por n?s'. Ou noutra vers?o mais recente : 'Queremos esta vit?ria, conquista-a por n?s'.
Pois.
Nem o Pinto da Costa ? o clube. O clube ? algo muito maior - os nomes (por muito importantes que sejam) passam e ele fica. Fica, fica e fica sempre: desde a Rua da Rainha, desde o in?cio do s?culo, desde os desafios de amigos. Com esta liga??o ? cidade que define este clube e lhe d? uma beleza e uma alma t?o particulares. E que vai passando de pais para filhos e destes para os seus filhos.
Por isso, obrigado Mourinho, por tudo.
? bom que esteja a escrever isto antes das finais. Porque n?o tem nada a ver com os resultados destes jogos que faltam. Tem a ver com os dois anos mais fant?sticos da vida deste adepto - e se calhar da hist?ria do clube.
Lutando contra advers?rios ricos e poderosos - contra uma fortaleza quase inexpugn?vel - o da riqueza, da concentra??o de poder no futebol europeu. E vencer, vencer vezes sem conta. Convencendo, sendo melhor. Lutando e vencendo a arrog?ncia e a inveja de outros, a constante diminui??o do m?rito do clube e dos jogadores. Recentemente, a estrat?gia deles mudou: promove agora o endeusamento de algu?m que odeiam um pouco menos do que o Porto - Mourinho. Mas at? fico satisfeito, porque ele merece. Depois disto fico a torcer por ele, seja em que clube estrangeiro ele estiver. Porque ele merece e porque acredito na gratid?o". (Porto, 7 de Maio de 2004)

Posted by JNC at 1:43 PM GMT
Updated: 26/01/2005 1:49 PM GMT
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20/01/2005
O paradoxo
Quando se pensa um pouco sobre o actual estado do futebol em Portugal ? imposs?vel fugir a uma quest?o de fundo: porque ? que num pa?s em que ? quase imposs?vel sair ? rua ou ligar a televis?o sem ouvir falar de futebol, as pessoas fogem cada vez mais dos est?dios, atingindo-se uma m?dia impressionantes de 7 000 espectadores por encontro na Primeira Divis?o, como aconteceu na ?poca passada (sabendo que se tirarmos destas contas os est?dios dos tr?s grandes estes n?meros caem para valores absolutamente rid?culos) ?
H? muitos tipos de explica??es para este fen?meno: h? quem diga que os portugueses gostam muito ? dos seus clubes e das discuss?es de caf? sobre a bola mas que gostam pouco de futebol em si - mas isso n?o explica porque ? que n?o v?o ver os jogos dos seus clubes. Outros atiram as culpas para a perda de qualidade dos encontros - em resultado da partida para as melhores Ligas europeias dos grandes craques. Mas h? ainda quem responsabilize a fraca capacidade de gest?o profissional dos clubes e da Liga bem patente nas ainda p?ssimas condi??es proporcionadas por alguns est?dios ou pela falta de pol?ticas de atrac??o de adeptos - nomeadamente os jovens. Qualquer destas raz?es tem com certeza peso na actual situa??o. No entanto, outras raz?es s?o importantes: como por exemplo o elevado pre?o os bilhetes, claramente acima do n?vel do de vida do pa?s, numa dif?cil situa??o econ?mica com os portugueses cada vez mais endividados. E depois temos outro aspecto a considerar: para os adeptos em Portugal futebol significa cada vez mais mediatiza??o e principalmente televis?o. ? raro o ano que n?o feche com as transmiss?es futebol?sticas na lideran?a das audi?ncias televisivas. Em 2002, por exemplo, os seis programas mais vistos na televis?o portuguesa foram jogos de futebol. O caso do Portugal-Brasil realizado antes do Campeonato do Mundo de 2002 foi not?vel, atingindo uma audi?ncia de quase 4 milh?es de espectadores em Portugal, sendo que os jogos disputados pela Selec??o Nacional no Mundial-2002 n?o lhe ficaram muito atr?s, apesar de serem transmitidos durante a manh?. E no Euro-2004 estes n?meros foram ainda ultrapassados. Entre tansmiss?es do futebol portugu?s e de outros campeonatos e provas internacionais quase n?o h? dia da semana em que n?o seja poss?vel ver futebol na TV. Mas a extraordin?ria mediatiza??o do futebol n?o fica por aqui: n?o ? por acaso que existem 3 jornais desportivos di?rios, sendo que 90% das suas p?ginas s?o dedicadas ao desporto-rei. Acresce dizer que num pa?s com reduzidos ?ndices de leitura, estes tr?s jornais di?rio, "A Bola", "O Record" e "O Jogo", lan?am no seu conjunto entre 300 mil e 400 mil exemplares por dia, ocupando qualquer um deles o "top 5" dos jornais mais vendidos.
Assim, cada vez mais o futebol ? um desporto e um espect?culo de sof?, designadamente em Portugal. E cada vez menos de est?dio, de participa??o, de viv?ncia real, de partilha de emo??es e sentimentos, de ac??o e sentir colectivo. Infelizmente, n?o ? s? no futebol que isto acontece...

Posted by JNC at 12:19 PM GMT
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13/01/2005
O Natal ainda n?o acabou
Lembro-me de que no jogo de computador Championship Manager (que passei muitas horas a jogar, treinando uma fabulosa equipa do Felgueiras tornada campe? da Europa apos epocas e epocas de perseveranca e dedicac?o!) quando procuravamos comprar determinado jogador a uma equipa da nossa igualha, que se encontrava em competic?o directa com a nossa, a resposta era invariavelmente: "o clube n?o esta na disposic?o de vender este jogador a uma equipa rival". O que parece fazer todo o sentido, tambem na realidade. Mas no futebol de hoje, ou pelo menos no FC Porto de hoje, isso ja n?o e assim e a provar esta o emprestimo a meio da epoca (nem sequer e uma venda!) do Hugo Almeida ao Boavista. Isto nem a brincar. Ent?o um clube vai dar de barato (emprestado) um jogador de qualidade, jovem, a um clube rival, com quem esta ate empatado em termos classificativos as portas da ultima jornada da primeira volta do "Nacional" ? Ou sabem os dirigentes do Porto coisas que nos n?o sabemos? Sabem que o Hugo Almeida esta proibido de marcar golos? Ou que o Boavista vai apenas lutar pela Europa enquanto o Porto vai continuar na disputa do titulo?
Tudo isto levanta ainda outras quest?es cruciais: que verdade desportiva se procura numa prova em que, por exagero, em ultima instancia dois clubes poderiam, se quisessem, trocar todos os jogadores mais o treinador a meio da prova?
Como sempre acontece hoje em dia quando nos perguntamos das raz?es para estas autenticas aberrac?es que vemos no nosso futebol, as perguntas v?o sempre apontar direitinhas para o grande $ e para os "lobbies da bola" que gerem os clubes e as outras instituic?es do futebol.
So que o problema e que independentemente de onde e para onde se olhe so vemos asneiras nessa gest?o...Asneiras e estadios vazios, transferencias inacreditaveis e ate estes emprestimos surreais. Ou me engano muito ou ainda vamos, nos portistas, sofrer com os golos do Hugo Almeida, a quem provavelmente continuamos a pagar uma parte do ordenado, cuja formac?o financiamos e cujos prestimos cedemos qual prenda de Natal atrasada aos nossos antigos-novos aliados do Bessa. Haja paciencia e muito corac?o...azul e branco para aguentar estes malabarismo inacreditaveis de saidas e entradas, vendas e emprestimos, cedencias e dispensas, a meio da epoca.

Posted by JNC at 2:44 PM GMT
Updated: 13/01/2005 9:40 PM GMT
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12/01/2005
O que vale e que ninguem percebe...
Por muito que tente, n?o percebo. Mas o que vale e que parece que n?o sou so eu: ninguem percebe como e que s?o geridos afinal os grandes em Portugal.
O que e verdadeiramente irritante e a forma como a gest?o destes clubes parece ser feita n?o atraves de um modelo definido mas antes no fluir de forcas poderosas mas muitas vezes contrarias: por um lado, ainda na tradic?o associativista, movida pelo voluntarismo dos dirigentes, adeptos ferrenhos do proprio clube, quase sempre pouco preparados para o futebol dito "industrial" e "comercial" da nova era; por outro lado, ja com um grande peso dos gestores profissionais, sempre a fazer contas aos deficit e superavites, marketings e merchandisings, bolsas e mercados, mas de futebol nada. Finalmente, a gest?o dos clubes parece obedecer ainda aos interesses pessoais/financeiros de toda esta gente e mais alguma (com destaque para essa figura nubelosa dos empresarios dos jogadores)que encontrou no mundo da bola forma de enriquecimento rapido e substancial. E assim para nos, adeptos comuns, fica tudo muito dificil de compreender: clubes com dezenas e dezenas de jogadores sob contratos milionarios, jogadores emprestados com o ordenado a ser pago (total ou parcialmente) por quem empresta, jogadores que chegam e s?o vendidos no mes a seguir, dispensas lesivas dos interesses dos clubes, aposta continua no mercado brasileiro quando ja se percebeu que ha normalmente problemas graves acarretados pelo excesso de brasileiros num plantel, falta clara de uma aposta na formac?o e na transic?o dos jovens para as primeiras equipas,enfim, uma permanente agitac?o de chegadas e partidas de jogadores, de compras, vendas e emprestimos, de fundos de jogadores e empresas que detem passes de futebolistas (a ultima moda), que me fazem crer que tudo isto tem como ultimo e quase unico objectivo fazer dinheiro e mais dinheiro, sendo a gest?o de um clube e de um plantel o menos importante nisto tudo. E cada vez menos estaremos a falar de futebol e mais de negocio, ainda por cima tendencialmente obscuro. E nos, os adeptos comuns, cada vez mais parecemos e nos sentimos ridiculos, uns patetas, alegres ou tristes conforme as circunstancias, dando importancia aquilo que apenas serve para fazer dinheiro, mais ou menos escuro. Sofrendo com clubes e jogos que apenas servem para servirem os interesses de pequenos grupos cujo jogo e muito diferente do nosso.
Por tudo isto, dou por mim a pensar: que cheguemos depressa a uma situac?o de dominio absoluto da gest?o profissional/racional no futebol em Portugal, com os accionistas a controlarem realmente o que se passa nos clubes, com mecanismos de racionalizac?o da gest?o, para que ao menos se saibam os comos e os porques.
Para ja, continua-se a bater forte e feio na galinha dos ovos de ouro. Vamos ver ate quando ela resiste...

Posted by JNC at 12:55 PM GMT
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07/01/2005
O futebol neoliberal (ou "queremos de volta o nosso jogo!")
Li h? pouco tempo que o FC Barcelona estava disposto a investir milh?es na compra do passe de um jovem futebolista argentino de 12 anos.
Ao ponto a que as coisas chegaram. O futebol entrou numa fase de mercantiliza??o profunda, de verdadeira escalada econ?mica, que tem posto em perigo de forma arrepiante a sua pr?pria identidade. Apenas se procura potenciar o lado mais espectacular, sempre muito rent?vel (ainda um dia o futebol vai ser um pretexto para se venderem pipocas, como j? acontece com o cinema de Hollywood...), deixando de lado muitos dos verdadeiros adeptos e valores tradicionais do jogo.
Como diz S?rgio Pami?s, no pref?cio da sua biografia de J. Cruyff, "perdeu-se o limite econ?mico...(...) entrou-se numa espiral muito perigosa (...) em que se fala cada vez mais de dinheiro, patrocinadores, direitos de imagem, publicidade, rentabilidade, intermedi?rios, superavit e deficit, e cada vez menos de futebol e dos seus valores."
O que me preocupa ? como o neocapitalismo dominante se apoderou do nosso jogo - uma das formas culturais fundamentais da Modernidade - e o colonizou transformando-o em seu servo. O sucesso e o rendimento s?o palavras que dominam o pr?prio jogo e a sua conceptualiza??o e organiza??o. E a responsabilidade ? de todos os agentes.
- Clubes que programam pr?-?pocas para vender camisolas e treinos
- Clubes que "compram" jogadores para vender camisolas, mesmo que para isso cheguem ao c?mulo de s? adquirir avan?ados centro ou extremos direitos.
- Jogadores que passam mais tempo a viajar para ac??es de publicidade do que a treinar.
- ? FIFA e ? UEFA s? falta matarem os jogadores com tantos jogos e tantas competi??es diferentes.
- As selec??es nacionais jogam encontros disparatados (ou contra equipas de amadores ou em particulares que fazem parte de contratos publicit?rios).
- Jovens de todo o mundo (incluindo africanos, sul americanos) s?o tratados como gado, trazidos para a Europa enquanto s?o promessas e abandonados depois quando n?o evoluem segundo as expectativas.
- Os jogadores chegam atrasados de f?rias, demonstrando uma total falta de respeito pelos clubes ques lhes pagam principescamente e pelos adeptos que os idolatram
- Os adeptos continuam a considerar inaceit?vel a derrota, a descarregar em cima dos ?rbitros a sua frustra??o, a considerar os advers?rios como inimigos, a querer a vit?ria a todo o custo, a contribuir para um clima de guerra geral.
- Os ordenados dos craques atingiram valores exorbitantes, inaceit?veis: n?meros de 2002 apontavam para aumentos salariais na ordem dos 300 por cento em Inglaterra e It?lia, com n?meros perto dos 200 por centos noutras Ligas, isto entre 1997 e 2002. Nesta altura existiam clubes com deficits de 100 por cento entre receitas e despesas.
- Os clubes falam em conseguir atrair novos adeptos mas esquecem-se dos antigos, aqueles que deixaram de ir aos est?dios e aqueles que est?o prestes a deixar de o fazer (num pa?s com est?dios novos, temos 5000 espectadores em m?dia em cada est?dio da Primeira Divis?o)
- Os clubes tratam genericamente mal os seus adeptos mais fieis (quase sempre os menos favorecidos), reservando uma grande parte dos est?dios e dos melhores lugares para os box offices, para os convidados dos patrocinadores, para os VIP e outros amigos.
Hoje em dia, quando se acha aceit?vel e at? genial que chegue ? conclus?o, e que se propale aos sete ventos, que o Benfica ? acima de tudo uma MARCA - uma grande marca - procura-se tornar natural este processo de quase total mercantiliza??o do futebol, estabelecendo que a principal rela??o que existe ali ? entre um consumidor e um produto. Por isso se diz que o futebol ? uma ind?stria e para isso temos que ter bons espect?culos.
Do que se esquecem estes industriais do futebol ? que o mais importante da rela??o entre os ind?viduos e este jogo s?o as lealdades, a identifica??o entre os adeptos e os clubes, os sentimentos e emo??es que dessa rela??o nascem e se desenvolvem durante toda uma vida, quantas vezes uma heran?a de pais para filhos e por a? fora...
Para animar um pouco este quadro negro, duas hist?rias de humor e esperan?a:
Um modesto clube das ligas amadoras inglesas, o St Albans City, recusou em 1993 uma apelativa possibilidade de subir de escal?o porque foi exigido ao clube que cortasse duas ?rvores - uns carvalhos antigos - que existiam no seu est?dio, por detr?s de uma das balizas. As condi??es eram claras: se o St. Albans quisesse participar na referida Liga as ?rvores tinham que desaparecer. A competi??o come?ou sem o St. Albans, mas as ?rvores continuaram no mesmo s?tio. At? hoje.
Num dos seus v?rios livros sobre futebol, o soci?logo Anthony King, conta um epis?dio ocorrido em 1995 num debate entre o ent?o director executivo do Newcastle United, Freddie Fletcher, e um membro de uma associa??o de adeptos do clube ingl?s, Kevin Miles. Perante a insist?ncia dos adeptos em estarem representados na direc??o do clube, pretens?o que este rejeitava, Fletcher utilizou como argumento o facto de os consumidores de um centro comercial n?o estarem representados na sua administra??o. Ao que Miles lhe respondeu que os consimidores dos centros comerciais n?o passam os seus dias a pensar, ler, a discutir, a viver, os seus centros comerciais, nem t?o pouco t?m camisolas, bandeiras, cachecois dos mesmos.



Posted by JNC at 12:47 AM GMT
Updated: 07/01/2005 12:52 AM GMT
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04/01/2005
Assim e demais!
Defendia eu, ainda recentemente, a paragem na Liga portuguesa e surgiam pouco depois as noticias de diversos atrasos consideraveis de jogadores brasileiros (e ate de treinadores de outras paragens...)no regresso aos seus clubes.
Salvaguardando as situac?es especiais e tentando n?o me reportar a casos especificos, parece-me que estes s?o exemplos de uma total falta de respeito pelas entidades que pagam (principescamente) aos atletas e pelos proprios adeptos (que os idolatram). Como e possivel que pessoas t?o privilegiadas social e economicamente n?o demonstrem a minima responsabilidade e respeito pelo estatuto que detem? Como e que podem ser t?o indiferentes e laxistas perante a realidade em que vivem? Para mim isto chega a ser falta de decencia e chego a perguntar-me como e que podemos esperar que se construam colectivos fortes (equipas) quando os seus elementos tem atitudes t?o egoistas e pouco profissionais. Isto diz muito tambem sobre o futebol portugues, mas igualmente sobre a propria sociedade abrangente: o ambiente geral que se vive e de incompetencia, irresponabilidade e desresponsabilizac?o. Vivam os direitos, que se lixem os deveres. Ainda para mais por parte de pessoas com altas responsabilidades, tambem sociais, os ditos modelos de acc?o.
No que diz respeito ao Porto - afinal de contas o caso que me interessa mais - desilude-me muito ver isto acontecer, designadamente em relac?o a jogadores que ate admiro bastante. Prova, na minha opini?o, que afrouxou muito a disciplina e o codigo de conduta dentro do plantel, com o resultado que temos visto. Apesar disso, a direcc?o (ou SAD, ou que quer que seja...)portista, parece n?o querer deixar que certos limites sejam ultrapassados - na linha do que aconteceu antes do Natal com os castigos a Carlos Alberto e Quaresma - tentando evitar que os maus exemplos vindos do Sul do pais grassem tambem num clube que tem vivido muito da disciplina interna, da coes?o do grupo, da forca do colectivo, onde ha regras de comportamento claras e para todos. Isso (tambem) tem feito a diferenca. Que n?o se perca definitivamente!

Posted by JNC at 12:35 AM GMT
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